Como criar uma agência de intercâmbio com pouco dinheiro

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O que começou com vídeos sobre a vida na Irlanda se transformou em uma agência de intercâmbio com 200 vendas. Tainá Supe criou a Trifoglio Intercâmbios em setembro de 2024, com pouco mais de R$ 3 mil, e usou o conteúdo nas redes sociais para transformar uma experiência pessoal em oportunidade de negócio.

Nesta curadoria, você acompanha como a empreendedora identificou uma demanda, validou a ideia com uma operação enxuta e adaptou a empresa após um vídeo viral ampliar sua audiência. O caso também mostra os desafios de estruturar processos, dividir responsabilidades e reduzir a dependência da fundadora conforme o negócio cresce.

Da produção de vídeos sobre a vida na Irlanda ao sucesso de uma agência com 200 vendas.

A trajetória de Tainá Supe mostra como uma experiência pessoal pode revelar uma oportunidade de mercado. Enquanto compartilhava sua rotina na Irlanda, a empreendedora passou a receber mensagens de pessoas interessadas em estudar e trabalhar no exterior. O interesse recorrente do público indicou que havia uma demanda por orientação especializada sobre destinos, cursos, acomodação e planejamento da viagem.

Em setembro de 2024, Tainá transformou esse conhecimento na Trifoglio Intercâmbios, criada com pouco mais de R$ 3 mil. A operação começou de forma remota, com equipe reduzida e sem grandes investimentos em estrutura ou divulgação. Mesmo assim, a empresa conseguiu testar sua proposta, aprimorar o atendimento e ajustar os processos conforme conhecia melhor as necessidades dos clientes.

Desde o início das vendas, em 2025, a agência alcançou 200 intercâmbios comercializados. O resultado reforça que uma empresa não precisa começar grande para validar uma ideia: uma operação enxuta, baseada em conhecimento do público e controle dos recursos, pode gerar aprendizados e abrir espaço para o crescimento antes da realização de investimentos mais altos.

A experiência pessoal revelou uma demanda de mercado

As mensagens recebidas nas redes sociais foram o primeiro sinal de que a experiência de Tainá poderia atender a uma necessidade específica. Pessoas interessadas em estudar ou trabalhar no exterior buscavam informações práticas sobre a vida na Irlanda, os custos envolvidos, os documentos necessários e as possibilidades de trabalho durante o intercâmbio.

No início, a empreendedora oferecia consultorias individuais, cobrando entre R$ 60 e R$ 100 por hora. Durante os atendimentos, preparava orientações personalizadas, roteiros e estimativas de orçamento. A iniciativa permitiu conhecer melhor as dúvidas do público e testar se havia disposição para pagar por esse tipo de suporte.

Tainá também chegou a criar um curso online para ampliar o alcance do conhecimento. Porém, percebeu que tanto as consultorias quanto o curso apresentavam limitações. O atendimento individual exigia muitas horas de preparação e tinha capacidade restrita de crescimento, enquanto o produto digital não contemplava todas as necessidades de quem precisava de acompanhamento para organizar a viagem.

A partir dessa experiência, a empreendedora identificou uma alternativa mais completa e escalável: criar uma agência de intercâmbio. Em vez de vender apenas informações, a empresa poderia reunir orientação, escolha de cursos, acomodação e suporte ao cliente em uma solução estruturada. O conhecimento acumulado nas consultorias ajudou a formar a proposta da Trifoglio e a transformar uma audiência interessada em uma possível base de clientes.

Como a empresa começou com pouco mais de R$ 3 mil

O investimento inicial da Trifoglio Intercâmbios foi de pouco mais de R$ 3 mil. Aproximadamente metade desse valor foi destinada à abertura e à regularização da empresa, incluindo os honorários do contador, o registro do CNPJ e as taxas administrativas necessárias para iniciar a operação de forma formalizada.

O restante dos recursos foi usado para manter as atividades nos primeiros meses. Sem capital suficiente para investir em tráfego pago ou montar uma estrutura física, a agência começou de maneira remota e com uma equipe reduzida. A escolha permitiu controlar os custos enquanto a empreendedora avaliava a aceitação do serviço e buscava os primeiros clientes.

Durante esse período, Tainá ainda trabalhava como babá na Irlanda para garantir sua própria renda. Depois do expediente, dedicava parte do tempo ao atendimento, à organização dos intercâmbios e à divulgação da empresa. A agência, porém, ainda não gerava lucro, o que exigia disciplina para conciliar a atividade profissional, os compromissos pessoais e a construção do novo negócio.

O início enxuto também ajudou a limitar os riscos financeiros. Em vez de comprometer recursos com despesas fixas elevadas, a empreendedora concentrou esforços na operação essencial e utilizou os canais digitais já disponíveis para apresentar a proposta ao público. Essa abordagem possibilitou testar o modelo antes de ampliar a estrutura, contratar profissionais ou realizar investimentos maiores.

Validação exige tempo, acompanhamento e persistência

Nos primeiros três ou quatro meses, a Trifoglio ainda não havia convertido os esforços de divulgação em vendas. A falta de receita gerou dúvidas entre as sócias, que passaram a questionar se valia a pena manter uma operação com custos enquanto os resultados não apareciam.

Tainá, porém, considerou que o intercâmbio envolve uma decisão de compra mais longa. Antes de fechar um contrato, o cliente precisa pesquisar destinos, comparar preços, organizar documentos e, principalmente, desenvolver confiança na agência que acompanhará uma etapa importante de sua vida. Por isso, a ausência de vendas imediatas não significava necessariamente falta de interesse pelo serviço.

A empreendedora decidiu testar a operação até completar um ano, usando esse período para observar o comportamento do público, aperfeiçoar a proposta e entender quais conteúdos e abordagens poderiam contribuir para a conversão. Essa persistência não eliminou os riscos, mas permitiu reunir informações antes de tomar uma decisão definitiva sobre o negócio.

Para pequenos empreendedores, o caso reforça que a validação exige acompanhamento contínuo. É importante definir um período de teste, controlar os custos, monitorar as oportunidades geradas e avaliar a evolução dos contatos até a compra. Dessa forma, a empresa consegue distinguir uma proposta que precisa ser ajustada de um mercado que simplesmente demanda mais tempo para decidir.

Um conteúdo viral mudou o rumo da agência

Em maio de 2025, poucos dias depois da saída das sócias, um vídeo publicado por Tainá sobre a própria família mudou o alcance da Trifoglio. O conteúdo brincava com a percepção de que ela e os irmãos formavam uma “família milionária” por viverem na Europa e alcançou milhões de visualizações, além de ser compartilhado e comentado por artistas e outros usuários.

O efeito foi imediato: o perfil da agência ganhou milhares de seguidores em poucos dias e o volume de mensagens aumentou significativamente. A visibilidade, porém, trouxe um novo desafio. A empresa ainda estava dimensionada para uma demanda pequena, e Tainá concentrava as atividades de atendimento, marketing e financeiro.

Para responder aos contatos, a empreendedora precisou recorrer a uma amiga, Beatriz Sales, que começou como consultora e depois passou a apoiar o suporte aos alunos. A equipe também teve de aprender a organizar os atendimentos, identificar oportunidades e conduzir os interessados até a decisão de compra.

A viralização não significou conversão automática. Era necessário transformar a atenção recebida em confiança, propostas adequadas e acompanhamento durante um processo de compra mais longo. No primeiro mês após o vídeo, a agência fechou pouco mais de dez intercâmbios — um avanço relevante diante dos meses anteriores sem vendas, mas também um sinal de que os processos precisavam acompanhar o novo ritmo.

O episódio mostra que crescer em audiência pode testar a capacidade operacional de uma pequena empresa. Quando a procura aumenta rapidamente, atendimento, suporte, divisão de tarefas e registro das informações precisam evoluir para que a oportunidade não seja perdida.

Conteúdo e identificação ajudaram a construir confiança

A história de Tainá ajudou a Trifoglio a se posicionar de maneira diferente no mercado de intercâmbio. Em vez de comunicar a experiência no exterior como algo restrito a pessoas com alto poder aquisitivo, a empresa passou a mostrar uma perspectiva mais próxima da realidade de quem precisa planejar os custos, estudar as possibilidades de trabalho e tomar decisões com cuidado.

Essa identificação contribuiu para aproximar o público e tornar a comunicação mais autêntica. A vivência da fundadora na Irlanda funcionava como um ponto de conexão, mas a confiança não dependia apenas de sua trajetória ou do alcance obtido pelo vídeo viral. Era necessário demonstrar conhecimento sobre os destinos, apresentar informações claras e acompanhar os interessados em cada etapa do planejamento.

Os conteúdos também ajudaram a esclarecer dúvidas comuns e a reduzir inseguranças relacionadas à viagem. Ao compartilhar experiências reais, desafios e diferentes perfis de intercambistas, a agência conseguiu construir uma comunicação alinhada às expectativas de quem buscava orientação para estudar e trabalhar no exterior.

Com o aumento das vendas, essa proposta passou a ser sustentada por depoimentos, embarques e relatos de clientes. Assim, a identificação gerada pela história da fundadora foi combinada com provas da qualidade do serviço e com um atendimento estruturado. O crescimento resultou, portanto, da união entre conteúdo relevante, relacionamento com a audiência e capacidade de transformar interesse em uma experiência acompanhada do início ao fim.

Da marca pessoal à construção de uma identidade própria

À medida que a Trifoglio cresceu, a comunicação da empresa deixou de depender exclusivamente da história pessoal de Tainá. A trajetória da fundadora continuou sendo importante para gerar identificação, mas a agência passou a construir uma identidade própria, capaz de apresentar seus serviços e resultados de forma independente.

O conteúdo começou a destacar os embarques, os depoimentos dos alunos e as experiências vividas pelos clientes. Esses registros funcionam como provas sociais e ajudam a demonstrar, na prática, como a agência acompanha o intercambista antes, durante e depois da viagem.

Essa mudança também reduziu a dependência da imagem pessoal da empreendedora na captação de clientes. Ao fortalecer o perfil institucional, a Trifoglio passou a mostrar que sua proposta não está limitada à vivência de Tainá na Irlanda, mas envolve uma equipe, processos de atendimento e diferentes destinos e modalidades de intercâmbio.

A estratégia de aquisição continua principalmente orgânica. No Instagram, a empresa publica Stories diariamente, de três a quatro Reels por semana e carrosséis com informações e experiências relacionadas ao intercâmbio. O TikTok também é utilizado para ampliar o alcance e atrair novos interessados.

O caso mostra que a marca pessoal pode ser o ponto de partida para um negócio, mas não precisa ser seu único ativo. Conforme a empresa evolui, transformar a audiência em uma comunidade relacionada à marca, aos clientes e à qualidade da experiência ajuda a criar uma comunicação mais consistente e preparada para sustentar o crescimento.

O crescimento transformou audiência em receita

A evolução da Trifoglio Intercâmbios aparece tanto no alcance digital quanto nos resultados comerciais. Desde o início das vendas, em 2025, a agência chegou a 200 intercâmbios comercializados e construiu uma audiência de quase 50 mil seguidores no Instagram. Para atender a essa demanda, a operação passou a contar com uma equipe de cinco pessoas, distribuídas entre áreas como marketing, suporte, atendimento, administrativo e vendas.

A agência oferece cursos de inglês, espanhol e francês para adultos em cinco destinos: Irlanda, Canadá, Malta, Inglaterra e Espanha. Também existem opções que combinam estudo e trabalho, com pacotes cujos preços variam de R$ 5 mil a R$ 18 mil, conforme o destino, o curso, a acomodação e os serviços incluídos.

As receitas vêm de duas fontes principais. A primeira é a comissão paga pelas instituições de ensino representadas pela agência. Esse percentual varia conforme a escola e pode chegar a aproximadamente 25% do valor do curso, com condições específicas para itens como acomodação.

A segunda fonte é uma taxa de serviço cobrada do cliente e incluída no pacote de intercâmbio. Atualmente, o valor corresponde a 170 unidades da moeda do destino, como euros, libras ou dólares canadenses. A combinação entre audiência, oferta diversificada e fontes de receita complementares permitiu transformar o conteúdo digital em uma operação comercial estruturada.

Processos e BPO financeiro reduzem a dependência da fundadora

No início da operação, grande parte das informações estava concentrada em Tainá. Ela participava do atendimento, do marketing, do financeiro e das decisões relacionadas aos clientes. Esse modelo pode funcionar enquanto a demanda é pequena, mas tende a criar dependência e limitar o crescimento quando o volume de trabalho aumenta.

Com a expansão da Trifoglio, a empreendedora começou a documentar processos e organizar as informações para que a equipe pudesse consultar orientações, etapas de atendimento e responsabilidades. A divisão de tarefas também se tornou mais clara, com profissionais dedicados ao marketing, ao suporte dos alunos, ao administrativo, ao pré-atendimento e ao fechamento das vendas.

O treinamento da equipe foi essencial para que as atividades não dependessem exclusivamente do conhecimento da fundadora. Ao preparar outras pessoas para conduzir o relacionamento com os clientes e acompanhar os intercambistas, a empresa ganhou mais autonomia operacional e reduziu o risco de Tainá se transformar em um gargalo.

Outra mudança ocorreu na gestão financeira, que passou a ser realizada em modelo de BPO pelo contador. Com esse apoio, a empreendedora deixou de concentrar todas as rotinas financeiras e pôde direcionar mais tempo para decisões estratégicas, posicionamento da marca e desenvolvimento do negócio.

O caso mostra que crescer não significa apenas vender mais. É necessário transformar conhecimentos individuais em processos acessíveis, estabelecer responsáveis por cada atividade e criar controles que permitam acompanhar a operação. Assim, a empresa se torna menos dependente de uma única pessoa e mais preparada para absorver novas demandas.

O que outros empreendedores podem aprender com o caso

A experiência da Trifoglio mostra que o crescimento de uma pequena empresa exige mais do que conquistar clientes. Conforme a demanda aumenta, é necessário organizar a operação para que as atividades não fiquem concentradas em uma única pessoa.

Um dos primeiros aprendizados é separar funções. Atendimento, vendas, marketing, suporte e financeiro devem ter responsabilidades definidas, mesmo quando a equipe ainda é pequena. Essa divisão facilita a identificação de falhas, evita retrabalho e permite que cada profissional se concentre em suas principais atividades.

Também é importante registrar informações e procedimentos. Documentar etapas do atendimento, critérios de contratação, dados dos clientes e rotinas internas ajuda a preservar o conhecimento da empresa. Além disso, torna mais simples treinar novos integrantes e manter um padrão de qualidade.

Outro ponto relevante está na contratação por competência. Afinidade pode contribuir para um bom ambiente de trabalho, mas as funções precisam ser ocupadas por pessoas preparadas para entregar os resultados esperados. A escolha adequada reduz riscos e fortalece a capacidade de execução do negócio.

O acompanhamento de indicadores também deve fazer parte da rotina. Número de contatos, propostas enviadas, vendas realizadas, prazo de atendimento, custos e margem de lucro são exemplos de dados que ajudam o empreendedor a entender o que está funcionando e onde é necessário ajustar a estratégia.

Por fim, estruturar o financeiro é essencial para sustentar o crescimento. Separar as finanças pessoais das empresariais, acompanhar o fluxo de caixa e organizar receitas e despesas oferece uma visão mais clara da realidade do negócio. Com processos, responsabilidades e informações bem estruturados, a empresa ganha condições de crescer sem depender exclusivamente da memória ou da disponibilidade do fundador.

Estruturar o negócio é o próximo passo para crescer com segurança

O caso da Trifoglio mostra que uma boa oportunidade de mercado é apenas o ponto de partida para o crescimento. Depois de validar a proposta com uma operação enxuta, a empresa precisou organizar responsabilidades, documentar processos e acompanhar os resultados para transformar o aumento da demanda em uma expansão sustentável.

Controles financeiros também são essenciais nessa etapa. O acompanhamento do fluxo de caixa, das receitas, dos custos e das margens ajuda o empreendedor a tomar decisões com mais segurança e evita que o crescimento das vendas esconda problemas na operação. Da mesma forma, processos bem definidos permitem atender mais clientes sem concentrar todo o conhecimento e as decisões no fundador.

Esse suporte pode começar antes mesmo da primeira venda, com a abertura e a regularização adequada da empresa, e continuar por meio de assessoria contábil, BPO financeiro e planejamento. O apoio especializado contribui para estruturar a gestão, reduzir riscos e preparar o negócio para novas oportunidades sem perder o controle.

Para pequenos e médios empreendedores, a principal lição é avançar de forma gradual: testar a ideia, conhecer o cliente, controlar os recursos e profissionalizar a operação conforme os resultados aparecem. Acompanhe o blog para conferir, todos os meses, novas notícias e aprendizados sobre empreendedorismo, gestão e crescimento empresarial.

Fonte desta curadoria

Este artigo é uma curadoria do site Pequenas Empresas & Grandes Negócios. Para ter acesso à matéria original, acesse Ela criou uma agência de intercâmbio com R$ 3 mil e chegou a 200 vendas

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Escrito por:

Integral Prime

Kátia Lucia Ribeiro- Contadora com Especialização em Controladoria e Pós-graduação em Administração Financeira na FGV.

Contadora (CRC-DF 7.852), com mais de 30 anos de experiência. Atua 100% online com BPO contábil, BPO Financeiro e consultoria tributária para empresas de serviços, além de IRPF e holdings patrimoniais. Perfil consultivo, com foco em compliance e melhoria contínua de processos, incluindo o uso de IA aplicada à contabilidade.

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